Soneto 91
| Soneto 91 |
|---|
Some glory in their birth, some in their skill, |
| –William Shakespeare |
Soneto 91 é um soneto entre os 154 sonetos de William Shakespeare, e faz parte da série ao Belo Jovem.
Estrutura
Soneto inglês[2], com esquema de rimas ABAB CDCD EFEF GG, versos decassílabos por pentâmetro iâmbico. Sendo um soneto inglês, com 3 quartetos e um dístico, o poeta optou por o apresentar em monóstrofe.
Sinopse
O Soneto 91 de William Shakespeare é um poema bastante direto que expressa o orgulho do eu lírico em seu relacionamento com a pessoa amada e seu medo de perder. Ao longo da primeira metade do poema, o eu lírico conduz o leitor por uma série de coisas e conquistas das quais algumas pessoas se orgulham. Ele diz diretamente que essas coisas não significam nada para ele. Em vez disso, revela que o seu amor é mais importante do que qualquer posse ou riqueza que outro homem possa alcançar. Mas, pelo lugar tão elevado na mente do eu lírico, ele sabe que, se e quando decidir deixá-lo, será devastador.[1]
Traduções
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta[nota 1]
A uns, o berço dá a glória, a outros, o talento,
A uns, a riqueza, a outros, a força,
A uns, as vestes, mesmo espaventosas,
A uns, suas águias e cães, a outros, seus cavalos,
E todo humor provê o seu próprio prazer,
Vendo alegria acima de tudo o mais;
Mas essas questões de nada me servem;
Supero tudo isso com um único trunfo.
Teu amor é mais que um berço de ouro,
Mais rico que a riqueza, mais caro do que roupas,
Mais prazeroso que águias e cavalos;
E tendo a ti, desdenho de todo o humano orgulho –
Apenas triste por um motivo: que possas privar-me
De tudo, tornando-me o mais infeliz.
Tradução de José Arantes Júnior[nota 2]
O valor aparente e o valor real
Há valor no berço, no dom exuberante,
Na grande fartura, na força corporal,
Na veste, mesmo de moda extravagante,
Nos falcões, cães e cavalos em geral;
Cada humor tem o seu prazer auxiliar
Pondo já a alegria acima do restante,
Meu louvor não está neste particular
E sim num referencial mais relevante;
Teu amor é mais que o berço para mim
Mais que a fartura, mais que a veste,
Mais que falcões ou os cavalos enfim
E ter-te me faz orgulhoso inconteste;
Serei triste se deixares meu caminho
Serei completamente triste e sozinho.
Tradução de Milton Lins[nota 3]
Glória ao nascer e glória na destreza,
Glória nos bens, no corpo a incentivá-los;
Glória nas roupas, em novel vileza,
Glória em falcões, na caça e nos cavalos.
E cada humor tem seu prazer na vida,
Ende possa encontrar contente o resto;
Esses senões não são a sã medida,
Aposto nisso tudo, e não contesto.
Teu amor é melhor que as honrarias,
Mais rico que a riqueza em roupa e porte,
Mais grácil que falcões e montarias;
E, tendo a ti, dos homens sou o mais forte.
Sou infelz se podes me perder,
E, assim, mais infeliz me vens fazer.
Tradução de Paulo Camelo[nota 4]
Alguns têm berço e outros têm saber,
riqueza ou força a se orgulhar, talvez;
gostam das vestes, mas não sabem ter,
e o gosto aos animais é insensatez,
pois todo humor traz dentro o seu viver,
sua alegria acima dos demais.
Porém são só detalhes a saber;
o bem maior, contudo, é muito mais.
Eu amo o teu amor; não o teu berço,
as ricas vestes a te acompanhar,
falcões, cavalos, cães, prefiro o avesso,
o orgulho do que eu possa me orgulhar.
Que eu seja miserával nisso tudo
e a ti mais miserável sou, contudo.
Notas
- ↑ A forma utilizada por Thereza Christina Motta para apresentar sua tradução foi um quatorzain monostrófico, com versos livres e sem rimas. Assim utilizando, sua tradução ficou próxima à literal.[3]
- ↑ O soneto inglês utilizado por José Arantes Júnior em sua tradução trocou o formato rítmico (decassílabos) por espacial (36 caracteres por verso, com a utilização de fonte monoespaçada). Manteve o esquema rímico e acrescentou um título.[4]
- ↑ Milton Lins apresentou sua tradução usando versos decassílabos, em sua maioria no ritmo de pentâmetro iâmbico, em um soneto inglês com esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG. [5]
- ↑ Na sua tradução, Paulo Camelo construiu um soneto inglês com versos decassílabos em pentâmetro iâmbico utilizando ritmo holístico. O esquema rímico é o mesmo: ABAB CDCD EFEF GG.[6]
Referências
- 1 2 «Sonnet 91» (em inglês). Consultado em 8 de abril de 2026
- ↑ CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética. Rio de Janeiro:Edições de Ouro, 1960.
- ↑ «Soneto 91». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 29 de março de 2026
- ↑ José Arantes Júnior. «Soneto 81» (PDF). Sonetos completos de William Shakespeare. Consultado em 29 de março de 2026
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ «Soneto 91 de William Shakespeare». Consultado em 8 de abril de 2026