Soneto 116

Soneto 116

Let me not to the marriage of true minds
Admit impediments; love is not love
Which alters when it alteration finds,
Or bends with the remover to remove.
O no, it is an ever-fixèd mark
That looks on tempests and is never shaken;
It is the star to every wand'ring bark
Whose worth's unknown, although his height be taken.
Love's not time's fool, though rosy lips and cheeks
Within his bending sickle's compass come.
Love alters not with his brief hours and weeks,
But bears it out even to the edge of doom:
If this be error and upon me proved,
I never writ, nor no man ever loved.
[1]

–William Shakespeare

Soneto 116 é um soneto pertencente aos 154 sonetos de William Shakespeare, da série de sonetos ao Belo Jovem.[nota 1]

Estrutura

O Soneto 116, como a maioria dos 154 poemas da série escrita pelo bardo inglês, tem a forma de um soneto inglês[nota 2][2] e, como tal, é composto por 3 quartetos e 1 dístico. A métrica usada é o verso decassílabo com ritmo de pentâmetro iâmbico.[nota 3]

Sinopse

Neste poema o poeta medita sobre o que ele vê como o tipo mais verdadeiro e mais forte de amor, aquele entre as mentes. Ele define tal união como inalterável e eterna.[3]

Traduções

De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera
Ou se vacila ao mínimo temor.

Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.

Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,

Antes se afirma, para a eternidade.
Se isto é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.

Não há empecilhos quando mentes
Verdadeiras se afeiçoam. O amor inexiste
Quando se altera por qualquer motivo,
Ou se curva sob o ímpeto apressado:
Ah, não! É um olho inabalável,
A mirar as tempestades sem se alterar;
É a estrela-guia de todo barco à deriva,
Cujo valor se desconhece, embora alta viva sobre o mar.
O amor não serve ao Tempo, embora as róseas faces e lábios
Cedam ao arco de sua longa foice;
O amor não se altera com suas breves horas e dias,
Mas sustenta-se firme até o fim das eras.
Se tudo que eu disse se provar um engano,
Jamais escrevi, nem amou qualquer humano.

Tradução de Paulo Camelo[nota 6]

Que eu não permita impedimento algum
para união das almas, pois o amor
que muda pela ação de qualquer um
não é amor, não tem nenhum pendor.

Bem diferente, o amor é marca forte
e não se abala com qualquer tormenta;
é estrela que ao errante aponta o norte
e, se é medido, a tal não aparenta.

O tempo não o impede, embora tente,
em faces, lábios, mãos, o seu alcance.
O amor navega o tempo, tão somente,
e não permite que ligeiro avance.

E, se o que eu escrevi um erro for,
então não escrevi jamais de amor.

O farol nas tempestades

Não deixes de unir autênticas mentes
Com os impedimentos, amor não é amor
Quando muda com as mudanças vigentes
Ou aceita ser removido com removedor;

Ah, não, é um farol sempre iluminado
Que, nas tempestades, não é sacudido,
É a estrela de um barco desorientado
Sem teor, embora de tamanho definido;

O amor não é tolo embora viva o belo
Dentro do limite da influência usada,
E não tem alteração em tempo singelo
Mas se mantem mesmo na ruína vergada;

Se é erro, em mim ele se identificou,
Jamais escrevi e ninguém jamais amou.

Notas

  1. ↑ Os sonetos ao Belo Jovem vão do Soneto 1 ao Soneto 126 da série.
  2. ↑ Dois poemas da série não são estruturalmente um soneto inglês:
    *Soneto 99 - possui 15 versos em monóstrofe que, pela análise de suas rimas, tem 1 quinteto, 2 quartetos e 1 dístico.
    *Soneto 126 possui apenas 12 versos, formando 6 dísticos, e lhes são acrescidos 2 versos brancos, apenas com espaço nulo entre dois parênteses ( ).
  3. ↑ Uma exceção a essa métrica e a esse ritmo é o Soneto 145, construído todo com versos octossílabos em tetrâmetro iâmbico.
  4. ↑ Apesar do esquema rímico corresponder ao de um soneto inglês, sua tradução foi apresentada como um soneto italiano. Seguiu a métrica decassílaba em versos heróicos.[4]
  5. ↑ Para construir sua tradução, a poetisa usou a forma de quatorzain monostrófico, sem rigor métrico nem rítmico e sem esquema rímico.[5]
  6. ↑ Soneto inglês construído todo em decassílabos por pentâmetro iâmbico, mantendo o ritmo holístico em seu todo. Rimas ABAB CDCD EFEF GG.[6]
  7. ↑ Tradução feita no formato de soneto inglês e esquema rímico apropriado, mas trocado o aspecto métrica/ritmo por espaço/simetria, usando fonte monoespaçada.[7]

Referências

  1. ↑ «Sonnet 116: Let me not to the marriage of true minds». Poetry Foundation (em inglês). Consultado em 17 de abril de 2026. Cópia arquivada em 2 de abril de 2026
  2. ↑ CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1960.
  3. ↑ «Sonnet 116» (em inglês). Consultado em 17 de abril de 2026
  4. ↑ «Soneto 116... William Shakespeare». Lendo Poesia. Consultado em 17 de abril de 2026
  5. ↑ «Soneto 116». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 17 de abril de 2026
  6. ↑ «Soneto 116 de William Shakespeare». Consultado em 17 de abril de 2026
  7. ↑ José Arantes Júnior. «Soneto 116» (PDF). Sonetos completos de William Shakespeare. Consultado em 17 de abril de 2026