Soneto 116
| Soneto 116 |
|---|
Let me not to the marriage of true minds |
| –William Shakespeare |
Soneto 116 é um soneto pertencente aos 154 sonetos de William Shakespeare, da série de sonetos ao Belo Jovem.[nota 1]
Estrutura
O Soneto 116, como a maioria dos 154 poemas da série escrita pelo bardo inglês, tem a forma de um soneto inglês[nota 2][2] e, como tal, é composto por 3 quartetos e 1 dístico. A métrica usada é o verso decassílabo com ritmo de pentâmetro iâmbico.[nota 3]
Sinopse
Neste poema o poeta medita sobre o que ele vê como o tipo mais verdadeiro e mais forte de amor, aquele entre as mentes. Ele define tal união como inalterável e eterna.[3]
Traduções
Tradução de Bárbara Heliodora[nota 4]
De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma, para a eternidade.
Se isto é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta[nota 5]
Não há empecilhos quando mentes
Verdadeiras se afeiçoam. O amor inexiste
Quando se altera por qualquer motivo,
Ou se curva sob o ímpeto apressado:
Ah, não! É um olho inabalável,
A mirar as tempestades sem se alterar;
É a estrela-guia de todo barco à deriva,
Cujo valor se desconhece, embora alta viva sobre o mar.
O amor não serve ao Tempo, embora as róseas faces e lábios
Cedam ao arco de sua longa foice;
O amor não se altera com suas breves horas e dias,
Mas sustenta-se firme até o fim das eras.
Se tudo que eu disse se provar um engano,
Jamais escrevi, nem amou qualquer humano.
Tradução de Paulo Camelo[nota 6]
Que eu não permita impedimento algum
para união das almas, pois o amor
que muda pela ação de qualquer um
não é amor, não tem nenhum pendor.
Bem diferente, o amor é marca forte
e não se abala com qualquer tormenta;
é estrela que ao errante aponta o norte
e, se é medido, a tal não aparenta.
O tempo não o impede, embora tente,
em faces, lábios, mãos, o seu alcance.
O amor navega o tempo, tão somente,
e não permite que ligeiro avance.
E, se o que eu escrevi um erro for,
então não escrevi jamais de amor.
Tradução de José Arantes Júnior[nota 7]
O farol nas tempestades
Não deixes de unir autênticas mentes
Com os impedimentos, amor não é amor
Quando muda com as mudanças vigentes
Ou aceita ser removido com removedor;
Ah, não, é um farol sempre iluminado
Que, nas tempestades, não é sacudido,
É a estrela de um barco desorientado
Sem teor, embora de tamanho definido;
O amor não é tolo embora viva o belo
Dentro do limite da influência usada,
E não tem alteração em tempo singelo
Mas se mantem mesmo na ruína vergada;
Se é erro, em mim ele se identificou,
Jamais escrevi e ninguém jamais amou.
Notas
- ↑ Os sonetos ao Belo Jovem vão do Soneto 1 ao Soneto 126 da série.
- ↑ Dois poemas da série não são estruturalmente um soneto inglês:
*Soneto 99 - possui 15 versos em monóstrofe que, pela análise de suas rimas, tem 1 quinteto, 2 quartetos e 1 dístico.
*Soneto 126 possui apenas 12 versos, formando 6 dísticos, e lhes são acrescidos 2 versos brancos, apenas com espaço nulo entre dois parênteses ( ). - ↑ Uma exceção a essa métrica e a esse ritmo é o Soneto 145, construído todo com versos octossílabos em tetrâmetro iâmbico.
- ↑ Apesar do esquema rímico corresponder ao de um soneto inglês, sua tradução foi apresentada como um soneto italiano. Seguiu a métrica decassílaba em versos heróicos.[4]
- ↑ Para construir sua tradução, a poetisa usou a forma de quatorzain monostrófico, sem rigor métrico nem rítmico e sem esquema rímico.[5]
- ↑ Soneto inglês construído todo em decassílabos por pentâmetro iâmbico, mantendo o ritmo holístico em seu todo. Rimas ABAB CDCD EFEF GG.[6]
- ↑ Tradução feita no formato de soneto inglês e esquema rímico apropriado, mas trocado o aspecto métrica/ritmo por espaço/simetria, usando fonte monoespaçada.[7]
Referências
- ↑ «Sonnet 116: Let me not to the marriage of true minds». Poetry Foundation (em inglês). Consultado em 17 de abril de 2026. Cópia arquivada em 2 de abril de 2026
- ↑ CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1960.
- ↑ «Sonnet 116» (em inglês). Consultado em 17 de abril de 2026
- ↑ «Soneto 116... William Shakespeare». Lendo Poesia. Consultado em 17 de abril de 2026
- ↑ «Soneto 116». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 17 de abril de 2026
- ↑ «Soneto 116 de William Shakespeare». Consultado em 17 de abril de 2026
- ↑ José Arantes Júnior. «Soneto 116» (PDF). Sonetos completos de William Shakespeare. Consultado em 17 de abril de 2026