Soneto 95
| Soneto 95 |
|---|
How sweet and lovely dost thou make the shame |
| –William Shakespeare |
Soneto 95 é um soneto entre os 154 sonetos de William Shakespeare, e faz parte da série ao Belo Jovem.
Estrutura
Soneto inglês[3], com esquema de rimas ABAB CDCD EFEF GG, versos decassílabos por pentâmetro iâmbico. Sendo um soneto inglês, com 3 quartetos e um dístico, o poeta optou por o apresentar em monóstrofe.
Sinopse
Neste primeiro de dois poemas relacionados, o poeta acusa a amada de usar a beleza para esconder uma moralidade corrupta.[1] Este soneto trata do assunto do vício oculto e da infidelidade, e como o poeta é obrigado a ser tolerante, especialmente quando o jovem é tão admirável. No entanto, este reinado livre tem seus limites, e uma nota de ameaça pode ser detectada no dístico final.[2]
Traduções
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta[nota 1]
Ou viverei para escrever o teu epitáfio,
Ou sobreviverás quando na terra eu já tiver apodrecido;
Daqui a morte não poderá arrancar a tua memória,
Embora de mim cada parte seja esquecida.
Teu nome aqui .cará imortalizado,
Embora eu, depois de partir, morra para o mundo;
A terra me reservará uma cova rasa,
Enquanto jazerás sepulta perante todos.
Meu verso frágil erigirá a ti um monumento,
Que olhos divisarão no futuro,
E línguas futuras mencionarão o teu ser,
Quando todos deste mundo já tiverem ido.
Ainda viverás (eis a virtude de minha pena)
No hálito da boca de outros homens.
Tradução de Paulo Camelo[nota 2]
Qualquer vergonha fica encantadora
ao atingir a rosa perfumada;
inda em botão, é bela, e, pecadora,
esconde o mal numa doçura ousada.
A língua que destila a tua história
em comentários maus do teu lazer
não pode denegrir contando glória;
em ti a má notícia faz crescer.
Os vícios que se contam têm lugar
e escolhem te habitar, fazer mansão,
mas a beleza em ti faz mascarar
e tornar belo todo vício vão.
Cuida de ti, pois privilégios tens;
se não usares, perderás teus bens.
Tradução de José Arantes Júnior[nota 3]
O privilégio e a susceptibilidade
Quão dócil e sensível tornas o pudor
Tal como uma lesão em rosa perfumada,
Ou como mancha na origem do teu teor
Oh, como pões tuas faltas sublimadas;
A língua conta os fatos de teus dias
Com tons picantes sobre o teu prazer,
Sem censura, com aplauso em sintonia,
Com bênçãos e aflições para se rever;
Oh, como uma mansão pode ter nuanças
como moradia sem a tua viva presença
onde um véu do belo cobre as manchas
e os olhos podem ver bem a diferença?
Tenha cuidado, amor, com a tua sorte,
Mesmo a faca forte perde o seu corte.
Tradução de Milton Lins[nota 4]
Como é gentil e doce ter vergonha,
Que, como praga em mais fragrante rosa,
Projeta o belo que teu nome enfronha!
Com tal candura, teu pecado entrosa!
Tu contas toda a história dos teus dias,
E fazes comentários sobre o gosto,
Não podes desprezar, mas elogias:
Com teu nome abençoas teu desgosto.
Bela mansão, em que teus vícios crias
Que, para a desfrutar, te faz colher
Onde o véu da beleza encobre estrias,
Só restando o que os olhos possam ver!
Atento, coração, ao privilégio;
Faca sem gume perde o sortilégio.
Notas
- ↑ A forma utilizada por Thereza Christina Motta para apresentar sua tradução foi um quatorzain monostrófico, com versos livres e sem rimas. Assim utilizando, sua tradução ficou próxima à literal.[4]
- ↑ Na sua tradução, Paulo Camelo construiu um soneto inglês com versos decassílabos em pentâmetro iâmbico utilizando ritmo holístico. O esquema rímico é o mesmo: ABAB CDCD EFEF GG.[5]
- ↑ O soneto inglês utilizado por José Arantes Júnior em sua tradução trocou o formato rítmico (decassílabos) por espacial (36 caracteres por verso, com a utilização de fonte monoespaçada). Manteve o esquema rímico e acrescentou um título.[6]
- ↑ Milton Lins apresentou sua tradução usando versos decassílabos com prevalência de pentâmetro iâmbico em um soneto inglês com esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG. [7]
Referências
- 1 2 Folger Shakespeare Library. «Sonnet 95». Shakespeare's Sonnets (em inglês). Consultado em 13 de abril de 2026
- 1 2 «Sonnet 95». Genius (em inglês). Consultado em 13 de abril de 2026
- ↑ CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética. Rio de Janeiro:Edições de Ouro, 1960.
- ↑ «Soneto 95». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 13 de abril de 2026
- ↑ «Soneto 95 de William Shakespeare». Consultado em 13 de abril de 2026
- ↑ José Arantes Júnior. «Soneto 95» (PDF). Sonetos completos de William Shakespeare. Consultado em 13 de abril de 2026
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5