Soneto 81

Soneto 81

Or I shall live your epitaph to make
Or you survive when I in earth am rotten.
From hence your memory death cannot take,
Although in me each part will be forgotten.
Your name from hence immortal life shall have,
Though I, once gone, to all the world must die.
The Earth can yield me but a common grave,
When you entombèd in men’s eyes shall lie.
Your monument shall be my gentle verse,
Which eyes not yet created shall o’erread;
And tongues to be your being shall rehearse
When all the breathers of this world are dead.
 You still shall live—such virtue hath my pen—
 Where breath most breathes, even in the mouths of men.[1][2]

–William Shakespeare

Soneto 81 é um soneto entre os 154 sonetos de William Shakespeare, e faz parte da série ao Belo Jovem.

Estrutura

Soneto inglês[3], com esquema de rimas ABAB CDCD EFEF GG, versos decassílabos por pentâmetro iâmbico. Sendo um soneto inglês, com 3 quartetos e um dístico, o poeta optou por o apresentar em monóstrofe.

Sinopse

Neste poema, o eu lírico afirma que ou sobreviverá ao jovem e escreverá sua epígrafe , ou morrerá primeiro e se decomporá na terra enquanto o jovem continuará vivo. De qualquer forma, o Belo Jovem será lembrado muito depois de seus dias, e este eu lírico não. O narrador de Shakespeare sabe que, após sua morte, se perderá para sempre na memória dos homens. Mas esse não é o caso do Belo Jovem. Graças à força dos versos do narrador , o Belo Jovem viverá na boca e na mente dos homens por gerações vindouras.[4] O poeta, imaginando um futuro em que tanto ele quanto a amada estejam mortos, vê-se completamente esquecido, enquanto a amada será lembrada para sempre por causa dos versos do poeta. [2]

Traduções

Ou viverei para escrever o teu epitáfio,
Ou sobreviverás quando na terra eu já tiver apodrecido;
Daqui a morte não poderá arrancar a tua memória,
Embora de mim cada parte seja esquecida.
Teu nome aqui .cará imortalizado,
Embora eu, depois de partir, morra para o mundo;
A terra me reservará uma cova rasa,
Enquanto jazerás sepulta perante todos.
Meu verso frágil erigirá a ti um monumento,
Que olhos divisarão no futuro,
E línguas futuras mencionarão o teu ser,
Quando todos deste mundo já tiverem ido.
Ainda viverás (eis a virtude de minha pena)
No hálito da boca de outros homens.[nota 1]

Tradução de José Arantes Júnior

O verso como monumento

Ou viverei para fazer o teu epitáfio
Ou viverás quando a terra me corroer,
E a tua memória será um documentário
Embora em cada parte irá me esquecer,

O teu nome encontrará a vida imortal
Mas eu já estarei morto para o mundo,
Porém existirá uma gravidade natural
Quando baixares ao sepulcro profundo;

Teu monumento será meu verso querido
Cujos olhos ainda não viram ou leram,
Todas as línguas os farão conhecidos
Mesmo quando os haustos já pereceram;

Viverás, tal é o poder de minha pena,
E até tua respiração será mais amena.
[nota 2]

Tradução de Milton Lins

Ou faço um elogio após a sua morte,
Ou estará você na minha despedida;
Sua memória, pois, não pode ter tal sorte,
Quanto à que me couber, será mesmo esquecida.

Seu nome, desde então, terá vida imortal,
E, quanto a mim, o mundo em pouco olvidará,
A terra me terá em vala natural,
Enquanto o humano olhar jamais lhe[nota 3] esquecerá

Seu mausoléu será a minha poesia,
Os olhos que virão ainda vão reler,
E línguas que vão rir irão ter parceria,
Quando a respiração do mundo fenecer;

Vivo você será, no perpassar dos anos,
Onde se respirar, e enquanto houver humanos.[nota 4]

Tradução de Paulo Camelo

Ou eu escreverei na tua lousa
ou, se eu morrer, escreverás na minha.
A morte não te esquece; ela não ousa
esquecimento, ou ficará sozinha.

O nome que usarás não morrerá,
embora deva eu morrer ao mundo.
A terra um ponto me oferecerá
enquanto o teu será bem mais profundo.

Um monumento a ti, um verso meu
aos olhos dos viventes terá vez.
Falantes outros dizem: não morreu,
nos mortos estarão todos vocês.

Ainda viverás no meu poema
e em boca de mortais serás o tema.[nota 5]

Notas

  1. ↑ A forma utilizada por Thereza Christina Motta para apresentar sua tradução foi um quatorzain monostrófico, com versos livres e sem rimas. Assim utilizando, sua tradução ficou próxima à literal.[5]
  2. ↑ O soneto inglês utilizado por José Arantes Júnior em sua tradução trocou o formato rítmico (decassílabos) por espacial (36 caracteres por verso, com a utilização de fonte monoespaçada). Manteve o esquema rímico e acrescentou um título.[6]
  3. ↑ o pronome que está na tradução é este: “lhe”.
  4. ↑ Milton Lins apresentou sua tradução usando versos dodecassílabos em hexâmetro iâmbico em um soneto inglês com esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG. [7]
  5. ↑ Na sua tradução, Paulo Camelo construiu um soneto inglês com versos decassílabos em pentâmetro iâmbico utilizando ritmo holístico. O esquema rímico é o mesmo: ABAB CDCD EFEF GG.[8]

Referências

  1. ↑ «Or I shall live your epitaph to make (Sonnet 81)» (em inglês). Consultado em 29 de março de 2026
  2. 1 2 Folger Shakespeare Library. «Sonnet 81». Shakespeare'sSonnets (em inglês). Consultado em 29 de março de 2026
  3. ↑ CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética. Rio de Janeiro:Edições de Ouro, 1960.
  4. ↑ «Sonnet 81» (em inglês). Consultado em 29 de março de 2026
  5. ↑ «Soneto 81». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 29 de março de 2026
  6. ↑ José Arantes Júnior. «Soneto 81» (PDF). Sonetos completos de William Shakespeare. Consultado em 29 de março de 2026
  7. ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
  8. ↑ «Soneto 81 de William Shakespeare». Consultado em 29 de março de 2026