Soneto 76

Soneto 76

Why is my verse so barren of new pride,
So far from variation or quick change?
Why with the time do I not glance aside
To new-found methods and to compounds strange?
Why write I still all one, ever the same,
And keep invention in a noted weed,
That every word doth almost tell my name,
Showing their birth and where they did proceed?
O know, sweet love, I always write of you,
And you and love are still my argument:
So all my best is dressing old words new,
Spending again what is already spent:
For as the sun is daily new and old,
So is my love still telling what is told.[1][2]

–William Shakespeare

Soneto 76 é um soneto entre os 154 sonetos de Shakespeare, que faz parte da série de sonetos ao Belo Jovem.

Estrutura

Forma: Soneto inglês[3] Rimas: ABAB CDCD EFEF GG Métrica: Versos decassílabos Ritmo: Pentâmetro iâmbico

Sinopse

O poeta questiona por que sua poesia nunca muda, repetindo sempre a mesma linguagem e técnica. A resposta, segundo ele, é que seu tema nunca muda; ele sempre escreve sobre o ser amado e sobre o amor.[1]

Traduções

Um soneto inglês construído com versos dodecassílabos alexandrinos em hexâmetro iâmbico (com pequenas variações) e esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG.

Por que meus versos são tão nus de ornato novo?
Por que é que em não mudar se mostram persistentes?
Por que, com o tempo nosso, o meu olhar não movo
Para combinações e métodos recentes?

Por que é que uma só coisa escrevo, sem variá-la,
e guardo em vestes tão notórias a invenção
que cada termo meu quase o meu nome fala
mostrando onde nasceu e qual sua razão?

Só escrevo sobre ti, meu doce amor, não vês?
Somente tu e o amor formais meu argumento;
O que já está usado usando ainda uma vez,
dou veste nova ao verbo antigo, eis meu talento.

Pois como o sol é velho e novo a cada dia,
Coisas já ditas o meu amor reanuncia.[4]

Tradução de Geraldo Carneiro

Soneto inglês monostrófico construído com decassílabos em pentâmetro iâmbico (exceto o verso 12) e esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG.

Por que meu verso é sempre tão carente
De mutações e variação de temas?
Por que não olho as coisas do presente
Atrás de outras receitas e sistemas?
Por que só escrevo essa monotonia
Tão incapaz de produzir inventos
Que cada verso quase denuncia
Meu nome e seu lugar de nascimento?
Pois saiba, amor, só escrevo a seu respeito
E sobre o amor, são meus únicos temas.
E assim vou refazendo o que foi feito,
Reinventando as palavras do poema.
Como o sol, novo e velho a cada dia,
O meu amor rediz o que dizia.[5]

Tradução de Paulo Camelo

Soneto inglês construído com versos decassílabos em pentâmetro iâmbico, rimas ABAB CDCD EFEF GG, seguindo o ritmo holístico.

Por que dos meus sonetos não me ufano,
invariáveis no seu recitar?
Por que não desenvolvo um outro plano,
alguma coisa nova a se mostrar?

Por que somente a mesma coisa eu falo,
e guardo a inovação como um veneno
a decifrar meu nome quando calo,
e a minha origem mostro em modo pleno?

Entendes bem que escrevo sobre ti,
mantendo meu amor como argumento
e, se palavras velhas escrevi,
de novas se revestem, como o vento.

O sol se veste novo a cada dia;
o meu amor, antigo, se recria.[6]

Tradução de Milton Lins

Soneto inglês em versos decassílabos com ritmo de pentâmetro iâmbico em sua maioria, rimas em ABAB CDCD EFEF GG.

Por que meu verso é isento a louvação?
Da muda de intenção à troca brusca?
Por que o tempo não traz a tentação
Para algum novo bem que o antigo ofusca?

E escrevo sempre o mesmo, e não se some,
Mantendo-se a invenção com gosto e arte,
Cada palavra diz meu próprio nome,
Mostrando onde nasceu e de onde parte?

Aprende, cari amigo, tens as provas,
Pois tu emeu amor são meu repasto,
Visto as palavras velhas como novas,
Gastando novamente o que foi gasto;

É novo o velho sol, não há conflito,
O meu amor repete o que foi dito.[7]

Referências

  1. 1 2 Folger Shakespeare Library. «Sonnet 76». Shakespeare'sSonnets (em inglês). Consultado em 26 de março de 2026
  2. ↑ «Sonnet 76: Why is my verse so barren of new pride». Poetry Foundation (em inglês). Consultado em 26 de março de 2026
  3. ↑ CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1960.
  4. ↑ «Soneto 76». Letras in.verso e re.verso. Consultado em 26 de março de 2026
  5. ↑ SHAKESPEARE, William. "Sonnet 76". In: CARNEIRO, Geraldo (trad. e org.). O discurso do amor rasgado. Poemas, cenas e fragmentos de William Shakespeare. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012. in: «William Shakespeare: "Sonnet 76" / "Soneto 76": trad. Geraldo Carneiro». Acontecimentos. Consultado em 26 de março de 2026
  6. ↑ «Soneto 76 de William Shakespeare». Consultado em 26 de março de 2026
  7. ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5