Soneto 120
| Soneto 120 |
|---|
That you were once unkind befriends me now, |
| –William Shakespeare |
Soneto 120 é um dos 154 sonetos de Shakespeare, pertencente à série dedicada ao Belo Rapaz.
Estrutura
Como a maioria dos sonetos escritos por William Shakespeare, o Soneto 120 é um soneto inglês[2][nota 1] no seu formato e no seu esquema rímico (ABAB CDCD EFEF GG), e, como a maioria deles, foi feito no ritmo de pentâmetro iâmbico.[nota 2]
Sinopse
Neste quarto soneto sobre sua indelicadeza para com a amada, o poeta se consola com a lembrança da época em que a amada lhe foi indelicada.[1] O poeta insiste que a dor que ele outrora sofreu com a conduta de seu amigo deve ser levada em consideração em relação à aparente falta de consideração que ele demonstrou durante o período de separação. Uma coisa deve ser considerada como compensação para a outra.[3]
Traduções
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta
A tradutora faz uma tradução próxima à tradução literal, não levando em conta as regras específicas do soneto (ritmo, rima, métrica), mantendo-o em forma do que antigamente se chamava Quatorzain.
Tu, que um dia me ofendeste, sê meu amigo agora,
E aquela mágoa que então senti
Devo relevar como uma antiga transgressão,
A menos que meus nervos fossem de aço ou de ferro.
Se fosses atacado por minha grosseria,
Como fui por ti, viverias um inferno,
E eu, tirano, não sossegaria,
Até mostrar-te quanto sofri com a tua ofensa.
Ó, que nossa noite de pesar nos lembre,
No fundo, quão dura é a tristeza,
E logo para ti, como de ti para mim, então servido
O humilde bálsamo que unge o peito ferido!
Mas teu ultraje agora assume um preço;
O meu te redime, e o teu redime a mim.[4]
Tradução de Milton Lins
O tradutor apresenta o soneto em dodecassílabos alexandrinos, perseguindo o ritmo hexâmetro iâmbico em alguns deles.
Malvado você foi, me favoreça agora,
Por aquele pesar por mim sentido então.
Preciso me curvar, a transgressão minora,
Os meus nervos não têm nem aço nem latão.
Para ser sacudido em minha ardente luta,
Como na sua fui (sofrer lhe foi sublime!),
Eu, tirano, não tive algum bem n labuta,
Para uma vez pesar o que me fez seu crime.
A nossa noite triste é para ser lembrada,
Meu senso mais profundo, um golpe na verdade,
Para mim e você, então apresentada,
A salva de humildade em peitos que ela invade!
Porém a sua morte uma sanção desata;
A minha - taxa a sua; a sua - a mim resgata.[5]
Tradução de Paulo Camelo
O poeta procura seguir o original em forma, métrica, ritmo e esquema rímico, ou seja, um soneto inglês com esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG, versos decassílabos em ritmo de pentâmetro iâmbico, apresentando-o, ainda, com ritmo holístico.
Se antes cruel foste, agora, amigo,
eu devo me curvar à tal tristeza
então sentida, à qual eu dei abrigo;
Os nervos fazem toda a fortaleza.
A minha crueldade te abalou,
e eu me abalei também, tempo infernal:
tirano sem pensar, só me restou
pensar no que sofri pelo teu mal.
Se eu for lembrar das noites de aflição,
do sentimento que a tristeza fere,
irei a ti, me oferecer, então,
qual bálsamo que cura e se transfere.
A tua transgressão tem alto preço
e eu a resgatarei, pois eu mereço.[6]
Tradução de José Arantes Junior
Este tradutor seguiu o esquema rímico do autor no soneto: ABAB CDCD EFEF GG, como um soneto inglês. Mas não o seguiu no ritmo nem na métrica, preferindo dar-lhe um aspecto plástico, com 36 caracteres em cada verso, que lhe mostram a forma, quando utilizada uma fonte monoespaçada. Acrescentou-lhe, ainda, um título.
O rude e o sensível
[7]
Como foste rude, seja sensível agora
Pelos males que marcaram meus traços,
Retifica as transgressões de outrora
Porque os meus nervos não são de aço;
Se foste abalada por minha crueldade
Passaste por um período até infernal,
Eu, como tirano, não tenho liberdade
Para avaliar como sofri pelo teu mal;
Nossa noite de dor deve ser lembrada,
Meu tino profundo vê a verdade ferir,
E tanto a mim quanto a ti maltratada
A humildade cura o que de mal surgir;
Mas tua ofensa agora é como gratidão
Te redimi e também me deste redenção.
Notas
- ↑ Há, na série de 154 poemas, 2 que estruturalmente não são sonetos:
* Soneto 99, que tem 15 versos, portanto um verso a mais do que tem um soneto;
* Soneto 126, que apresenta 12 versos apenas, distribuídos em 6 dísticos. - ↑ Há, na série de 154 poemas, um que tem métrica e ritmo diferentes: o Soneto 145, feito com versos octossílabos em tetrâmetro iâmbico.
Referências
- 1 2 «Sonnet 120». Folger Shakespeare Library (em inglês). Consultado em 22 de abril de 2026
- ↑ CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1960.
- ↑ «Shakespeare's Sonnets» (em inglês). Consultado em 22 de abril de 2026
- ↑ «Soneto 120». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 22 de abril de 2026
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ «Soneto 120 de William Shakespeare». Consultado em 22 de abril de 2026
- ↑ Shakespeare, William - Sonetos completos de William Shakespeare. Tradução de José Arantes Júnior. - São Paulo: Ed. do Autor, 2007.