Soneto 94
| Soneto 94 |
|---|
They that have power to hurt and will do none, |
| –William Shakespeare |
Soneto 94 é um soneto entre os 154 sonetos de William Shakespeare, e faz parte da série ao Belo Jovem.
Estrutura
Soneto inglês[2], com esquema de rimas ABAB CDCD EFEF GG, versos decassílabos por pentâmetro iâmbico. Sendo um soneto inglês, com 3 quartetos e um dístico, o poeta optou por o apresentar em monóstrofe.
Sinopse
Este soneto descreve uma categoria de pessoas especialmente abençoadas e poderosas que parecem exercer controle total sobre suas vidas e sobre si mesmas. Essas pessoas são então implicitamente comparadas a flores e contrastadas com ervas daninhas, concluindo o poema com uma advertência a tais pessoas na forma de um provérbio sobre lírios.[1]
Traduções
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta[nota 1]
Aqueles que têm o poder de ferir e nada farão,
Que não fazem o que demonstram,
Que ao impelir outros, são como pedra,
Imóveis, frios, e imunes à tentação –
E por direito caem nas graças divinas,
E herdam da natureza as riquezas de seu custo;
Eles são os senhores e donos de si mesmos,
Os outros, apenas os servos de sua excelência.
A flor do verão é doce para a estação,
Embora para si mesma apenas viva e feneça;
Mas se essa flor for ferida em sua essência,
A erva daninha mais singela arrancará a sua honra;
Pois o mais doce se torna amargo por seus feitos;
Lírios mais fétidos do que as ervas daninhas.
Tradução de José Arantes Júnior[nota 2]
O doce e o azedo
Os que podem lesar e não se promovem
E que não fazem nada para se mostrar,
São os que, ao moverem, não se movem
Com impulsos que os façam se desviar;
São herdeiros das graças e redenções
E das preciosas riquezas da natureza,
São senhores e donos de suas feições
Mas também operários de suas proezas;
A flor do verão simboliza inspiração
Embora, em si mesma, só vive e morre,
Mas se a flor, na base, tem infecção
Esta base, para a falência, concorre;
Os doces terminam azedos em conserva,
E lírios podres fedem mais que ervas.
Tradução de Paulo Camelo[nota 3]
Quem tem poder para ferir ou não,
e não demonstra ter esse poder,
e, como pedra, vence a tentação,
imóvel, lento, frio a mais não ser,
herda do céu a graça, com razão,
sem desperdício usa a natureza,
é dono do seu rosto, em corpo são,
gerenciando tudo com grandeza.
A flor que nasce ao sol é doce e bela,
embora viva e morra, e nada mais;
porém, se uma doença chega a ela,
então supera, luta e se refaz.
O doce fica amargo por seu ato,
e, se apodrece, fede, isso é um fato.
Notas
- ↑ A forma utilizada por Thereza Christina Motta para apresentar sua tradução foi um quatorzain monostrófico, com versos livres e sem rimas. Assim utilizando, sua tradução ficou próxima à literal.[3]
- ↑ O soneto inglês utilizado por José Arantes Júnior em sua tradução trocou o formato rítmico (decassílabos) por espacial (36 caracteres por verso, com a utilização de fonte monoespaçada). Manteve o esquema rímico e acrescentou um título.[4]
- ↑ Na sua tradução, Paulo Camelo construiu um soneto inglês com versos decassílabos em pentâmetro iâmbico utilizando ritmo holístico. O esquema rímico é o mesmo: ABAB CDCD EFEF GG.[5]
Referências
- 1 2 Folger Shakespeare Library. «Sonnet 94». Shakespeare's Sonnets (em inglês). Consultado em 12 de abril de 2026
- ↑ CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética. Rio de Janeiro:Edições de Ouro, 1960.
- ↑ «Soneto 94». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 12 de abril de 2026
- ↑ José Arantes Júnior. «Soneto 94» (PDF). Sonetos completos de William Shakespeare. Consultado em 12 de abril de 2026
- ↑ «Soneto 94 de William Shakespeare». Consultado em 12 de abril de 2026