Soneto 89

Soneto 89

Say that thou didst forsake me for some fault,
And I will comment upon that offence;
Speak of my lameness, and I straight will halt,
Against thy reasons making no defence.
Thou canst not, love, disgrace me half so ill,
To set a form upon desired change,
As I’ll myself disgrace, knowing thy will;
I will acquaintance strangle and look strange,
Be absent from thy walks; and in my tongue
Thy sweet beloved name no more shall dwell,
Lest I, too much profane, should do it wrong,
And haply of our old acquaintance tell.
For thee, against myself I’ll vow debate;
For I must ne’er love him whom thou dost hate.[1]

–William Shakespeare

Soneto 89 é um soneto componente dos 154 sonetos de William Shakespeare, pertencente ao grupo dos sonetos ao belo jovem.

Estrutura

Sinopse

O segundo de uma série de 3 sonetos, neste soneto o poeta lista as maneiras pelas quais ele se fará de mal para que a amada pareça bem.[1]

Traduções

A tradução de Thereza Christina Rocque da Motta, tendendo a uma tradução literal, foi construída na forma de um quatorzain monostrófico, sem obediância a métrica, ritmo ou rima.

Dize-me que me abandonas por um erro meu,
E te explicarei a razão de minha ofensa;
Dize-me que fui fraco, e eu aquiescerei,
Sem opor defesa alguma aos teus motivos.
Não podes, amor, desgraçar-me assim,
Determinando a forma ante teu desejo,
Como será minha desgraça saber a tua vontade.
Reconhecerei a falta, e parecerei estranho,
Ausentar-me-ei de teu lado e, em minha língua,
Não mais viverá teu doce e amado nome,
A menos que eu erre, por ser demais profano,
E, alegre, revele a nossa velha amizade.
Por ti, contra mim mesmo, jurarei lutar,
Pois a quem odeias, jamais poderei amar.[2]

O poeta José Arantes Júnior construiu, na tradução, um soneto inglês com rimas condizentes, mas no aspecto métrica/ritmo usou 36 caracteres por metro, com fonte monoespaçada, para um formato simétrico na aparência. Deu-lhe um título.

O fixo e o mutável

Diz que me deixaste pelos meus erros
E eu direi a respeito destas ofensas,
Nos meus erros, evitarei os exageros
Contra as possíveis razões pretensas;

Não podes me afetar com meia aflição
Ao fixar algo pelo desejo de mudança,
Como eu ao saber que a tua concepção
Tem um limite e um louvor que avança;

Saio do teu caminho e a minha língua,
Pelo teu nome, não vai mais insistir,
A menos que eu, me sentindo à mingua,
Diga como o nosso romance pode fluir;

A ti, dedico esta íntima dissertação
E não gosto de quem te causa aversão.[3]

A forma utilizada por Paulo Camelo procurou acompanhar a forma original, um soneto inglês, com esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG, versos decassílabos em pentâmetro iâmbico, respeitando o ritmo holístico.

Sei que me culpas por teu abandono
e entendo tua ofensa quando falo;
assim, quando me julgas, perco o sono
e, sem me defender, eu, triste, calo.

Amor, não podes me desonrar tanto,
enquanto mudas o teu proceder,
se eu mesmo me desonro ao teu encanto
e em meu amor me perco, estranho ser.

Os meus caminhos fugirão de ti,
teu doce nome já não falarei
porque, profano como o concebi,
nossa amizade acaba, isso eu bem sei.

Por ti, contra mim mesmo irei lutar,
porque me odeias. Não me posso amar.[4]

O médico escritor e tradutor Milton Lins construiu sua tradução na forma de soneto inglês em pentâmetro iâmbico em quase todos os versos[nota 1] e esquema rímico característico.

Dize, fugiste a mim por uma falta,
E eu comentarei sobre essa ofensa:
Falas do meu defeito com voz alta,
Contra tuas razões não há sentença.

Não poderás me amar pela metade,
Para estabelecer a tua troca,
Como me causa mal a mã vontade,
Estranho um tal sufoco, que te enfoca;

Ausente das andanças, minha fala
Em teu querido nome já não mora;
Por que (muito profana) não se cala,
E por velho prazer não se demora.

Por ti e contra mim desfaço as teias,
Por não amar aquele a quem odeias.[5]

Notas

  1. ↑ O pentâmetro iâmbico não se apresenta nos versos 3, 4, 11, 12, que têm ritmo heroico, apenas.

Referências

  1. 1 2 Folger Shakespeare Library. «Sonnet 89». Shakespeare's Sonnets (em inglês). Consultado em 7 de abril de 2026
  2. ↑ «Soneto 89». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 7 de abril de 2026
  3. ↑ «Soneto 89» (PDF). Sonetos Completos de William Shakespeare. Consultado em 7 de abril de 2026
  4. ↑ «Soneto 89 de William Shakespeare». Consultado em 7 de abril de 2026
  5. ↑ Shakespeare, William. Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: Ed. do Tradutor (impressão FacForm), 2005, ISBN 978-85-98896-04-5