Soneto 123
| Soneto 123 |
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No, Time, thou shalt not boast that I do change: |
| –William Shakespeare |
Soneto 123 é um dos 154 sonetos de William Shakespeare. Faz parte da série ao Belo Rapaz. Essa pessoa nunca foi identificada na vida real, nem a verdadeira natureza da relação do poeta com ela foi desvendada. Isso levou muitos leitores e estudiosos a especularem sobre a sexualidade de Shakespeare ou mesmo se o poeta é o narrador nesses versos.
Estrutura
Como quase todos os poemas dessa série, ele é um soneto inglês,[nota 1] composto por 3 quartetos e 1 dístico,[nota 2] com versos decassílabos em pentâmetro iâmbico.[nota 3]
Sinopse
O poeta diz que não há nada de novo sob o sol e acusa o Tempo de nos enganar, fazendo-nos perceber as coisas como novas apenas porque vivemos por tão pouco tempo. Ele reafirma seu voto de permanecer constante apesar do poder do Tempo.[2]
Este soneto é uma das poucas obras de Shakespeare que faz referência a ideias como tempo, mudança e morte sem o uso de alusões bíblicas ou literárias diretas.[3]
Traduções
A tradução de Thereza Christina Rocque da Motta, utilizando a forma de um quatorzain monostrófico, não se ateve a métrica, ritmo ou rima, perseguindo a literalidade.
Não! Tempo, não te regozijarás porque envelheço:
Tuas pirâmides erguidas com nova força
A mim não assustam, nem surpreendem;
São apenas visões de velhos lugares.
Nossos dias são breves e, portanto, admiramos
O que tu nos impõe que envelheceu;
E preferimos tê-los conforme nosso desejo,
A conhecê-los somente por suas lendas.
Desafio tanto as histórias quanto a ti,
Sem me importar com o passado ou o presente;
Pois teus livros e o que vemos ambos mentem,
Feitos, mal e mal, em tua contínua pressa:
Isto eu juro, e assim será sempre,
Serei verdadeiro, apesar de ti e tua longa foice.[4]
A tradução de Paulo Camelo obedeceu à forma original, de soneto inglês, com 3 quartetos e 1 dístico, com versos decassílabos em pentâmetro iâmbico, mantendo um ritmo holístico.
Não, tempo! Não te vangloriarás
de ter pirâmides no teu passado
e agora nada novo, nada mais
que te renove, nada renovado.
Agora tudo corre, tudo é breve,
então voltamo-nos para o antigo
e a nossa preferência é nascer leve
o que no teu passado teve abrigo.
Os teus registros são teu desafio,
eu já não sei presente nem passado,
e, se registras, eu já não confio:
em muita pressa é tudo registrado.
Eu sei que é sempre assim, por isso eu juro:
eu serei mais fiel ao teu futuro.[5]
O tradutor Milton Lins manteve a forma de soneto inglês com esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG, mas com métrica em dodecassílabo e ritmo alexandrino.
Não deves te gabar, ó Tempo, porque altero:
As pirâmides têm uma novel função,
Nada de novo são, nada do que eu espero;
Só uma roupa nova em velha construção.
Temos breves perfis, por isso é que namoro
O que nos impingiste, e ainda é defasado,
Pois antes faz nascer, para um total decoro,
Do que re-imaginar sermão já escutado.
Aos arquivos e a ti eu lanço um desafio,
Sem espanto presente, e sem sombras de outrora;
Para tua memória e a quem eu não confio.
Nunca menos nem mais que a tua pressa explora:
Prometo me envolver contigo na batalha:
- Verdade, sem pesar o corte da navalha.[6]
A tradução de José Arantes Júnior obedece à estrutura de soneto inglês, com o esquema rímico original ABAB CDCD EFEF GG, mas não obedece a métrica ou ritmo, visando a uma forma plástica, com 26 caracteres por verso, que lhe dão um formato geométrico quando usada fonte monoespaçada. Acrescentou-lhe um título.
O velho e o novo no tempo
Tempo, não te gabes de minha mudança,
Tuas pirâmides erguidas com novo elo
Para mim não têm elevadas lembranças,
são somente vestidas de modo singelo;
Datas são rápidas e causam admiração
Pois o velho depois de nós é lançado
Para renascer dentro de nossa paixão
Parecendo-nos ouvir o que foi falado;
Eu desafio a ti e às tuas concepções
Não por teores presentes ou passados,
Pelos valores que temos nas ocasiões
Muitos ou poucos no período avaliado;
Cumprirei minha promessa dia e noite
Serei verdadeiro apesar de tua foice.[7]
Notas
- ↑ Duas composições suas não são estruturalmente consideradas sonetos. O Soneto 99 apresenta 15 versos, distribuídos em 1 quinteto, 2 quartetos e um dístico, enquanto o Soneto 126 compõe-se de apenas 12 versos, apresentados em 6 dísticos.
- ↑ Apesar de estruturalmente ser um soneto inglês, ele é apresentado como uma monóstrofe, podendo aí ser comparado ou denominado quatorzain.
- ↑ O Soneto 145 foi composto em versos octossílabos, em tetrâmetro iâmbico.
Referências
- ↑ «Sonnet 123: No, Time, thou shalt not boast that I do change». Poetry Foundation (em inglês). Consultado em 24 de abril de 2026
- ↑ «Sonnet 123». Folger Shakespeare Library (em inglês). Consultado em 24 de abril de 2026
- ↑ Sonnet 123
- ↑ «Soneto 123». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 24 de abril de 2026
- ↑ «Soneto 123 de William Shakespeare». Recanto das Letras. Consultado em 24 de abril de 2026
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ «Sonetos completos de William Shakespeare» (PDF). Consultado em 24 de abril de 2026