Soneto 71

Soneto 71

No longer mourn for me when I am dead
Than you shall hear the surly sullen bell
Give warning to the world that I am fled
From this vile world with vilest worms to dwell;
Nay, if you read this line, remember not
The hand that writ it; for I love you so,
That I in your sweet thoughts would be forgot,
If thinking on me then should make you woe.
O, if (I say) you look upon this verse,
When I (perhaps) compounded am with clay,
Do not so much as my poor name rehearse,
But let your love even with my life decay,
Lest the wise world should look into your moan,
And mock you with me after I am gone.[1][2][3]

–William Shakespeare

Soneto 71 é um soneto pertencente à série de 154 sonetos de William Shakespeare, um dos muitos dedicados ao Belo jovem.

Estrutura

Forma: Soneto inglês[4] Rimas: ABAB CDCD EFEF GG Métrica / ritmo: Versos decassílabos em pentâmetro iâmbico

Sinopse

No soneto 71 o autor expressa o que deseja que façam ou não depois que ele morrer, querendo apenas que o ser amado esqueça-se do amor e de quem ele era, para que não seja causado sofrimento pela sua partida.[5] Este soneto está tematicamente ligado ao Soneto 36, ao Soneto 49 e ao Soneto 72.[6] Neste primeiro de uma série de quatro sonetos em que o poeta aborda sua própria morte e seu efeito sobre o amado, ele aqui exorta o amado a esquecê-lo uma vez que ele se foi.[3]

Traduções

Na forma de quatorzain monostrófico, sem rimas, com métrica e ritmo variáveis, mostrando uma tradução tendendo à literal.

Não chores mais por mim depois que eu morrer,
Ao ouvir o sombrio e escuro sino
Anunciando a todos que parti
Deste mundo vil, habitado por vermes ainda mais vis:
Não, se leres este verso, não lembres
Da mão que o escreveu; pois te amo tanto,
Que prefiro ser esquecido de teus doces pensamentos,
Se lembrar de mim te causar algum pranto.
Ah, se (eu digo) leres este verso
Quando eu já estiver misturado à terra,
Não ensaies repetir meu pobre nome;
Mas deixa teu amor apodrecer com minha vida:
A menos que o mundo pondere e perscrute tua dor,
E despreze a ti, por mim, após minha partida.[7]

Tradução de Paulo Camelo

Um soneto inglês em sua forma, com rimas características ABAB CDCD EFEF GG, todo em versos decassílabos em pentâmetro iâmbico, com reforço de ritmo holístico.

Não chorem tanto assim quando eu morrer,
pois ouvirão sombrio e triste sino,
e todos saberão do meu sofrer
no mundo vil, fugindo ao meu destino.

Ao lerem meu soneto, lembrem, pois,
de quem o escreveu, que tanto amou,
mas, se a tristeza lhes chegar, depois,
conservem doce o amargo que ficou.

Repito: quando lerem meu soneto,
e eu já tiver me transformado em pó,
não falem no meu nome, e eu lhes prometo
um outro amor na vida; estarei só.

Não deixe ao mundo sábio o seu lamento;
eu já parti, não há mais sofrimento.[8]

Tradução de José Arantes Júnior

Com formato de soneto inglês e rimas correspondentes, trocou métrica e ritmo por aspecto plástico simétrico, usando 36 caracteres por verso e fonte monoespaçada. Acrescentou-lhe um título.

O esquecimento das lembranças

Sem um longo pranto quando eu morrer
Então ouvirás um sino rude e sombrio
Avisando que ninguém mais vai me ver
E que fui habitar com vermes esguios,

Nem a leitura desta poesia te lembre
A mão que redigiu, pois te amo tanto,
E tuas lembranças me esqueçam sempre
Se pensar em mim te trouxer o pranto,

Ou se (eu digo) ao leres esta poesia
Quando tiver me transformado em lodo
Não chame meu pobre nome em anomalia,
Então deixe teu amor se retrair todo;

Para que a crítica, ao ver o lamento,
Não escarneça o nosso relacionamento.
[9]

Tradução de Milton Lins

Soneto inglês na forma e no esquema rímico, construído com versos dodecassílabos alexandrinos em hexâmetro iâmbico[nota 1].

Não quero pranto quando eu já estiver morto.
Você escutará o dobre de algum sino,
Dando um alerta ao mundo, o câmbio do meu porto,
Sair de um mundo vil, - de vermes ter destino:

Se ler esta entrelinha, esqueça seu sentido,
A mão que a escreveu o ama tanto, enfim,
Que, no seu pensamento, eu seja um esquecido,
Um triste ficará, se for pensar em mim.

Se desprezar, acaso, o meu pobre poema,
Quando sabe que sou um ser feito de argila,
Não recorde meu nome, evite-o como tema,
Mas deixe o seu amor na vida que se exila:

Para que o mundo não esbarre em seu gemido,
Nem zombe de você, após eu ter partido.[10]

Notas

  1. ↑ Os versos 7, 10, 11 e 12 não se apresentam em hexâmetro iâmbico.

Referências

  1. ↑ «Sonnet 71: No longer mourn for me when I am dead». Poetry Foundation (em inglês). Consultado em 22 de março de 2026
  2. ↑ «No longer mourn for me when I am dead (Sonnet 71)» (em inglês). Consultado em 22 de março de 2026
  3. 1 2 Folger Shakespeare Library. «Sonnet 71». Shakespeare's Sonnets (em inglês). Consultado em 22 de março de 2026
  4. ↑ CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1960.
  5. ↑ «Leituras e Devaneios: de Shakespeare, um soneto...». Além dos caracóis dos meus cabelos. Consultado em 22 de março de 2026
  6. ↑ «Soneto 71». Consultado em 22 de março de 2026
  7. ↑ «Soneto 71». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 22 de março de 2026
  8. ↑ «Soneto 71 de William Shakespeare». Consultado em 22 de março de 2026
  9. ↑ «Soneto 71» (PDF). Sonetos completos de William Shakespeare. Consultado em 22 de março de 2026
  10. ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5